Há uma fase da maternidade sobre a qual ninguém fala o suficiente. Falam do cansaço dos primeiros anos, das noites sem dormir, das fraldas e das febres. Falam da escola primária, dos dentes de leite que caem, dos primeiros passos e das primeiras palavras. Mas da adolescência? Da adolescência falam pouco. E quando falam, falam mal — como se fosse apenas uma fase a sobreviver.
Não é. É muito mais do que isso. E é, provavelmente, a fase mais exigente de ser mãe.
Ser mãe de uma adolescente é viver numa montanha-russa de emoções — e o pior é que às vezes nem sabes em que parte da volta estás.
É aprender a dar espaço quando o instinto grita para apertar. É perceber, de repente, que já não controlas nada — apenas observas. E observar com o coração na boca é muito diferente de observar descansada. É o equilíbrio impossível entre estar atenta e não ser intrusiva, entre proteger e deixar cair, entre confiar e atribuir as responsabilidades que são dela.
É assistir, às vezes com uma angústia surda, ao desaparecimento da tua criança. Aquela que te chamava a toda a hora, que queria dormir no teu quarto, que achava que tu eras o centro do mundo — essa foi-se transformando. E no lugar dela está a crescer um quase-adulto que mal te olha nos olhos ao jantar. Sabes que é normal. Sabes que é suposto ser assim. E mesmo assim dói.
Há também o quarto. Ah, o quarto. O que era um espaço da casa tornou-se numa caverna. O bunker dela. A porta está sempre fechada, a música é sempre alta de mais ou baixa de mais, e quando a abres — nos raros momentos em que és convidada — encontras loiça. Loiça, sim. E objetos não identificados. E as tuas coisas. As tuas meias, o teu perfume, o teu carregador, aquele casaco que juraste ter perdido. Está tudo ali, no bunker. Tudo menos ela — que está no telemóvel, no universo paralelo onde a tua voz não chega.
Ninguém nos diz que o mais difícil não é lidar com as emoções dela. É lidar com as nossas.
É perceber que já não somos o centro do universo dela. Que já não somos as preferidas. Que o grupo de amigas sabe mais sobre o que ela sente do que nós, que a trouxemos ao mundo. E racionalmente percebemos: é o desenvolvimento normal, é saudável, é suposto. Mas nenhum livro de psicologia infantil nos ensina a sentir isso de forma suave. Custa. Custa mesmo.
E no meio de tudo isto — dos portões fechados, das respostas curtas, das emoções em montanha-russa que às vezes nem ela própria consegue explicar — há momentos que nos pregam ao chão de uma forma diferente. Momentos em que olhamos para ela e vemos a pessoa em que se está a tornar. A forma como defende o que acredita. A sensibilidade que tem para os outros. Os valores que foram crescendo em silêncio, sem que tenhamos dado conta.
E percebemos que a educação está a dar frutos — mesmo quando parece que nada chegou lá. Mesmo quando parece que estamos a falar para as paredes. Está lá. Ela está lá.
Ser mãe de uma adolescente é isto: viver com o coração fora do peito — mas agora percebo mesmo o que essa expressão significa. Não é metáfora. É literal. É ter a parte mais vulnerável de nós a circular pelo mundo com a mochila às costas e os auriculares postos, a fingir que não nos vê quando nos passa ao lado na rua com as amigas.
E mesmo assim, amar com tudo.
Mesmo assim, achar que é o trabalho mais importante que alguma vez fizemos.



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